O amor acabou, mas ainda sinto se o calor me envolvendo, seu hálito quente a sussurrar palavras amorosas ao mau ouvido.
Sinto seu cheiro de cigarro misturado a café forte e colônia quando seus cabelos roçavam o meu rosto.
Você esta presente em mim, que ficará por toda vida para me destruir.
Sinto a solidão de a morte crescer dentro do meu pobre corpo.
O seu gozo ainda é sentido dentro do meu receptáculo de amor.
Eu não sabia que ao sentir tanto prazer, seguido de múltiplos orgasmos, estava recebendo também um cálice de fel que eu viria a sorver por toda a vida.
Ainda deitada, com o corpo tremulo de paixão, incandescente de desejo e amor, não fui capaz de perceber a invasão de vírus , aos milhares, que penetravam pelas micro lesões, produzidas pelo amor, invadindo as artérias uterinas, ilíacas até as correntes sanguineas mais importantes , destruindo o meu sistema imunológico, dominando todas as minhas resistências.
Mas que resistência????
Quantas vezes ouvi falar de vulnerabilidade, situação de risco, mas diante do amor não fui capaz de me prevenir, de negociar o único bem que seria capaz de me proteger.
Aceitei as regras impostas pela sedução, não ofereci resistência ao negociador que facilmente me convenceu a fazer amor sem camisinha.
Ele não me avisou que já sabia ser portador do vírus.
Hoje sou portadora do vírus HIV.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
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