Conto de fada
Foi com grande emoção que encontrei uma garotinha, minha vizinha no bairro do Meyer, após quarenta anos em uma viagem de férias.
Incrível como ela me reconheceu e se apresentou, descortinando a minha juventude de uma forma abrupta, levando-me as lagrimas.
Eu havia enterrado também essa parte feliz da minha vida sob uma pedra de cristal, que algumas vezes sob o sol de minhas lembranças mais alegres, refletia as imagens das festas onde dançávamos rock and roll ou twist, nas tardes de domingo dos anos 60/70.
A paixão pelos discos 78 ou long plays de Roberto Carlos embalavam os nossos romances mais pueris.
Quando falo nossas, refiro-me a todo o grupo que freqüentavam a casa da família Maranhão. Os amigos de marechal Hermes que se deslocavam para as festas. As idas as praias de Ipanema ou no Posto 6 em Copacabana, sempre de ônibus, as vezes de bonde.
E os natais! Talvez os meus melhores natais com salada de frutas, ponche e cuba libre.
Éramos muito alegres e cheios de esperança, queríamos ser grandes profissionais, médicos, engenheiros, biólogos ou historiadores, pensávamos em mudar o mundo, criar novos conceitos, alterar as leis.
A vida se encarregou de me afastar desse grupo, as saudades, as lembranças me faziam prometer colocar um recado em qualquer comunidade de Orkut, possivelmente com o titulo: Sonhadores do Meyer, mais isso nunca aconteceu.
Sem explicação razoável, encontro um membro da família Maranhão. A curiosidade me faz perguntar sobre tudo e sobre todos. Um sentimento misto de alegria, tristeza, pesar invade o meu coração, todos se formaram, todos .casaram, descasaram, foram felizes e infelizes varias vezes ........assim como eu.
A cortina foi fechada bruscamente, pude perceber que na juventude os contos de fada embalavam as nossas vidas, mas não éramos príncipes nem princesas e por isso não fomos felizes para sempre.
Mas este encontro me deixou com uma sensação de vitoria. Venci, conquistei muitas batalhas internas e externas. Sou feliz como aos 18 anos, isso eu posso sentir e falar para as minhas filhas, bem como agradecer aos membros família Maranhão presentes e ausentes.
Agradeço a Deus por este feliz encontro.
domingo, 14 de dezembro de 2008
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
A invasão
O amor acabou, mas ainda sinto se o calor me envolvendo, seu hálito quente a sussurrar palavras amorosas ao mau ouvido.
Sinto seu cheiro de cigarro misturado a café forte e colônia quando seus cabelos roçavam o meu rosto.
Você esta presente em mim, que ficará por toda vida para me destruir.
Sinto a solidão de a morte crescer dentro do meu pobre corpo.
O seu gozo ainda é sentido dentro do meu receptáculo de amor.
Eu não sabia que ao sentir tanto prazer, seguido de múltiplos orgasmos, estava recebendo também um cálice de fel que eu viria a sorver por toda a vida.
Ainda deitada, com o corpo tremulo de paixão, incandescente de desejo e amor, não fui capaz de perceber a invasão de vírus , aos milhares, que penetravam pelas micro lesões, produzidas pelo amor, invadindo as artérias uterinas, ilíacas até as correntes sanguineas mais importantes , destruindo o meu sistema imunológico, dominando todas as minhas resistências.
Mas que resistência????
Quantas vezes ouvi falar de vulnerabilidade, situação de risco, mas diante do amor não fui capaz de me prevenir, de negociar o único bem que seria capaz de me proteger.
Aceitei as regras impostas pela sedução, não ofereci resistência ao negociador que facilmente me convenceu a fazer amor sem camisinha.
Ele não me avisou que já sabia ser portador do vírus.
Hoje sou portadora do vírus HIV.
Sinto seu cheiro de cigarro misturado a café forte e colônia quando seus cabelos roçavam o meu rosto.
Você esta presente em mim, que ficará por toda vida para me destruir.
Sinto a solidão de a morte crescer dentro do meu pobre corpo.
O seu gozo ainda é sentido dentro do meu receptáculo de amor.
Eu não sabia que ao sentir tanto prazer, seguido de múltiplos orgasmos, estava recebendo também um cálice de fel que eu viria a sorver por toda a vida.
Ainda deitada, com o corpo tremulo de paixão, incandescente de desejo e amor, não fui capaz de perceber a invasão de vírus , aos milhares, que penetravam pelas micro lesões, produzidas pelo amor, invadindo as artérias uterinas, ilíacas até as correntes sanguineas mais importantes , destruindo o meu sistema imunológico, dominando todas as minhas resistências.
Mas que resistência????
Quantas vezes ouvi falar de vulnerabilidade, situação de risco, mas diante do amor não fui capaz de me prevenir, de negociar o único bem que seria capaz de me proteger.
Aceitei as regras impostas pela sedução, não ofereci resistência ao negociador que facilmente me convenceu a fazer amor sem camisinha.
Ele não me avisou que já sabia ser portador do vírus.
Hoje sou portadora do vírus HIV.
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
A vida não era assim
Admirando a bela canção de Ivan Lins “a vida pode ser maravilhosa” fiquei por alguns segundos meditando sobre a minha atual condição, absorvendo esse olhar diferente e real que surge após a descoberta da sorologia positiva para HIV; É COM O SOFRIMENTO QUE APRENDEMOS A NOS VALORIZAR, as vezes.
Mesmo que esse sentimento demore para chegar, nunca é tarde demais para aprendermos com nossas dores pessoais, nossos choros solitários cheios de desesperanças.
Por outro lado, ter o vírus do HIV é ter que remodelar seu próprio viver.
Não é uma condição de pecado e fogo eterno, como dizem os donos de algumas religiões.
Existem enfermidades que matam muito mais que a AIDS, o “PRÉ CONCEITO” no cotidiano da nossa civilização , mas não é por isso que vamos deixar a peteca cair.
Sabemos que estamos em um país que proporciona uma qualidade de vida ótima aos pacientes soropositivos, devemos deixar de lado o vitimismo, as queixas, o importante é sair em busca de uma melhor realidade para nossa vida.
Soro positivos ou não devemos ter a consciência que todos nos podemos ser grandes companheiros na luta por aquilo que mais desejamos que é SER FELIZ.
O QUE OS PRECONCEITUOSOS FALAM OU PENSAM É AZAR DELES .
KIKA MEDINA 2004
Mesmo que esse sentimento demore para chegar, nunca é tarde demais para aprendermos com nossas dores pessoais, nossos choros solitários cheios de desesperanças.
Por outro lado, ter o vírus do HIV é ter que remodelar seu próprio viver.
Não é uma condição de pecado e fogo eterno, como dizem os donos de algumas religiões.
Existem enfermidades que matam muito mais que a AIDS, o “PRÉ CONCEITO” no cotidiano da nossa civilização , mas não é por isso que vamos deixar a peteca cair.
Sabemos que estamos em um país que proporciona uma qualidade de vida ótima aos pacientes soropositivos, devemos deixar de lado o vitimismo, as queixas, o importante é sair em busca de uma melhor realidade para nossa vida.
Soro positivos ou não devemos ter a consciência que todos nos podemos ser grandes companheiros na luta por aquilo que mais desejamos que é SER FELIZ.
O QUE OS PRECONCEITUOSOS FALAM OU PENSAM É AZAR DELES .
KIKA MEDINA 2004
Uma guerra que não tenho medo de vencer
Uma guerra que não tenho medo de vencer
Estou a caminho de uma grande guerra.
Estou muito assustada , afinal onde estão os inimigos que eu tenho que combater?
Tudo está completamente sombrio, penso em pedir socorro, mas será que serei socorrida? Ou será que me transformarei aos olhos das pessoas em uma fotocopia do vírus .
Mas há esperança! O meu remédio. Eu nem me lembrava dele.
O medo, meu principal adversário, aumente quando a medicina me diz que ainda há muito por ser descoberto até a cura da AIDS.
Eu sei que poderei vencer esta batalha . Mas reconheço que , as vezes , tenho vontade de fugir do meu popio corpo e desaparecer.
A minha família precisa saber, sei que devo contar, mas como começar a falar? Sempre fui e pensei diferente de todos, logo tenho medo de choca-los ainda mais. Então minha alma se cala no silencio e na dor .
Sorrio quando me deparo com os meus remedios, que já não esqueç mais.
Começo a melhorar de saude , alimento-me melhor , durmo bem , as longas noites de insonia e os fantasmas desapareceram. Ouço musica, até faço planos para o futuro.
Continuo a minha batalha: vencer o medo e o preconceito.
Sinto-me mais forte, apesar de navegar por mares nada seguro.
Continuo melhorando, principalmente porque percebo que há uotras pessoas nesse barco , ao meu lado, não me faltam sorrisos e maos amigas.
A minha cabeça é firme, continuo a minha batalha . Afinal sei que não estou mais sozinha.......
-
KIKA MEDINA 2006
Estou a caminho de uma grande guerra.
Estou muito assustada , afinal onde estão os inimigos que eu tenho que combater?
Tudo está completamente sombrio, penso em pedir socorro, mas será que serei socorrida? Ou será que me transformarei aos olhos das pessoas em uma fotocopia do vírus .
Mas há esperança! O meu remédio. Eu nem me lembrava dele.
O medo, meu principal adversário, aumente quando a medicina me diz que ainda há muito por ser descoberto até a cura da AIDS.
Eu sei que poderei vencer esta batalha . Mas reconheço que , as vezes , tenho vontade de fugir do meu popio corpo e desaparecer.
A minha família precisa saber, sei que devo contar, mas como começar a falar? Sempre fui e pensei diferente de todos, logo tenho medo de choca-los ainda mais. Então minha alma se cala no silencio e na dor .
Sorrio quando me deparo com os meus remedios, que já não esqueç mais.
Começo a melhorar de saude , alimento-me melhor , durmo bem , as longas noites de insonia e os fantasmas desapareceram. Ouço musica, até faço planos para o futuro.
Continuo a minha batalha: vencer o medo e o preconceito.
Sinto-me mais forte, apesar de navegar por mares nada seguro.
Continuo melhorando, principalmente porque percebo que há uotras pessoas nesse barco , ao meu lado, não me faltam sorrisos e maos amigas.
A minha cabeça é firme, continuo a minha batalha . Afinal sei que não estou mais sozinha.......
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KIKA MEDINA 2006
novas parcerias
talvez vcs nao saibam, mas eu trabalho como ginecologista numa unidades de especialidade, mas especificamente con DST e HIV/AIDS, desta forma pretendo convidar varios parceiros HIV + para participar deste blog.
A minha primeira parceira é a KIKA MEDINA, minha amiga ha mais ou menos 23 anos desde a época em que moravamos no bairro Vista Verde, ativista de longa data ,sempre defendendo os direitos dos portadores do virus com trabalho voluntário de prevenção com HSH.
Então hj apresento os pensamentos escritos dessa amiga que é uma vitoriosa por ter rompido todas as barreirs do preconceito ,medo e discriminação.
A minha primeira parceira é a KIKA MEDINA, minha amiga ha mais ou menos 23 anos desde a época em que moravamos no bairro Vista Verde, ativista de longa data ,sempre defendendo os direitos dos portadores do virus com trabalho voluntário de prevenção com HSH.
Então hj apresento os pensamentos escritos dessa amiga que é uma vitoriosa por ter rompido todas as barreirs do preconceito ,medo e discriminação.
domingo, 9 de novembro de 2008
É fácil ser escritora. ZEZEX2007
Tenho grande vontade de ser escritora ; tarefa difícil, resolvo então ,fazer um curso sobre crônicas.
No meu primeiro dia de aula estou entusiasmada ,alegre compulsiva para aprender como desenvolvo esta arte.
A sala esta cheia, olho os meus colegas e fico a pensar ,sobre o que eles escrevem? Como escrevem?
Logo sou tomada por diversas informações que geram grande quantidade de temas para crônicas, poemas, contos.
Meu pensamento lógico e concreto me induz a escrever algo que venha ajudar a humanidade. O fim da água potável no planeta terra, a fome associada ao desperdício, como salvar os jovens das drogas, e muitos outros conceitos que protegerão o mundo de uma desgraça.
- mas isso não será um prazer, quero uma coisa light.
Meu coração me conduz ao amor, escrever sobre o sofrimento e as alegrias da paixão , a infidelidade no amor e ao ódio passional. Quero colocar em palavras escritas todo o sentimento e carinho pelo outro que é capaz de brotar do fundo do meu coração.
Mas no momento meu coração esta vazio de paixões, também não quero escrever sobre a felicidade afetiva dos outros ......será isso inveja ou desilusão.
Como mulher, vaidosa, feminina,penso que posso escrever sobre a beleza, as plásticas, as dietas, a ditadura da moda. – Tai! Esse é um tema que me agrada.
Até posso desenvolver esse assunto baseada no meu conhecimento sobre as mulheres.
Paro, reflito, fico ruminando as idéias ,quando percebo um sinal pulsante dos meus órgãos genitais , dos meus desejos, dos instintos, quero escrever sobre prazer, gozo, êxtase, por para fora esse ser inominável que habita o sub consciente de toda mulher , que pouca tem coragem de mostrar a quem quer que seja , as vezes o faz dentro de quatro paredes , sempre com medo de ser criticada ou mal entendida .
Mostrar a paixão pelo puro prazer, esse desejo capaz de levar a loucura, a vida e a morte, a desgraça e a gloria. Pode uma mulher ser escritora erótica?? E os padrões sociais ?? a família ?? a religião??
Conflitos percebidos ao tentar escrever, o bem e o mal, o príncipe e o sapo, o rico e o pobre, a prostituta , a madame , todos estes personagens se misturam girando no meu cérebro. Preciso encontrar uma linha do meio também na escrita. Vou percorrer os caminhos da literatura e encontrar o meu .
Como disse a professora de crônicas : o escritor tem que escrever diariamente – este será o meu projeto
Tenho grande vontade de ser escritora ; tarefa difícil, resolvo então ,fazer um curso sobre crônicas.
No meu primeiro dia de aula estou entusiasmada ,alegre compulsiva para aprender como desenvolvo esta arte.
A sala esta cheia, olho os meus colegas e fico a pensar ,sobre o que eles escrevem? Como escrevem?
Logo sou tomada por diversas informações que geram grande quantidade de temas para crônicas, poemas, contos.
Meu pensamento lógico e concreto me induz a escrever algo que venha ajudar a humanidade. O fim da água potável no planeta terra, a fome associada ao desperdício, como salvar os jovens das drogas, e muitos outros conceitos que protegerão o mundo de uma desgraça.
- mas isso não será um prazer, quero uma coisa light.
Meu coração me conduz ao amor, escrever sobre o sofrimento e as alegrias da paixão , a infidelidade no amor e ao ódio passional. Quero colocar em palavras escritas todo o sentimento e carinho pelo outro que é capaz de brotar do fundo do meu coração.
Mas no momento meu coração esta vazio de paixões, também não quero escrever sobre a felicidade afetiva dos outros ......será isso inveja ou desilusão.
Como mulher, vaidosa, feminina,penso que posso escrever sobre a beleza, as plásticas, as dietas, a ditadura da moda. – Tai! Esse é um tema que me agrada.
Até posso desenvolver esse assunto baseada no meu conhecimento sobre as mulheres.
Paro, reflito, fico ruminando as idéias ,quando percebo um sinal pulsante dos meus órgãos genitais , dos meus desejos, dos instintos, quero escrever sobre prazer, gozo, êxtase, por para fora esse ser inominável que habita o sub consciente de toda mulher , que pouca tem coragem de mostrar a quem quer que seja , as vezes o faz dentro de quatro paredes , sempre com medo de ser criticada ou mal entendida .
Mostrar a paixão pelo puro prazer, esse desejo capaz de levar a loucura, a vida e a morte, a desgraça e a gloria. Pode uma mulher ser escritora erótica?? E os padrões sociais ?? a família ?? a religião??
Conflitos percebidos ao tentar escrever, o bem e o mal, o príncipe e o sapo, o rico e o pobre, a prostituta , a madame , todos estes personagens se misturam girando no meu cérebro. Preciso encontrar uma linha do meio também na escrita. Vou percorrer os caminhos da literatura e encontrar o meu .
Como disse a professora de crônicas : o escritor tem que escrever diariamente – este será o meu projeto
domingo, 12 de outubro de 2008
IMAGEM
Tenho os olhos marejados de lagrimas
Que rolam para dentro do meu corpo
Até chegarem ao meu coração
Tentam inutilmente desconstruir uma imagem
Foi o carinho, a bondade a solidão
Que montou a imagem do amor
Amor acima do sexo, da amizade
Amor capaz de cuidar, recriar e formar um novo homem
Um ser livre do passado
Sem magoas , sem vícios ,sem compromissos
Apenas imagem, imagem inexistente
Aguardo que as lagrimas, como dilúvio sagrado
,
Desconstrua a imagem, fazendo renascer
A grama da esperança.
Sjc 15/05/2008
Tenho os olhos marejados de lagrimas
Que rolam para dentro do meu corpo
Até chegarem ao meu coração
Tentam inutilmente desconstruir uma imagem
Foi o carinho, a bondade a solidão
Que montou a imagem do amor
Amor acima do sexo, da amizade
Amor capaz de cuidar, recriar e formar um novo homem
Um ser livre do passado
Sem magoas , sem vícios ,sem compromissos
Apenas imagem, imagem inexistente
Aguardo que as lagrimas, como dilúvio sagrado
,
Desconstrua a imagem, fazendo renascer
A grama da esperança.
Sjc 15/05/2008
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